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Com a alta da inflação, vale a pena investir em fundos imobiliários?

Com a inflação, ainda vale a pena investir em fundo imobiliário ou é melhor ir para papéis alinhados com o IPCA? 

Sarai Elizabeth, CFP®, responde:

Neste ano de 2022, os holofotes do cenário econômico estão voltados para a alta da inflação e da taxa de juros. Mas por que é importante acompanhar esses indexadores? Para o mundo dos investimentos, quanto maior a inflação, menor o ganho real (uma vez que a inflação corrói o poder da moeda) e, além disso, para conter o aumento da inflação o Banco Central aumenta a taxa de juros.

Em função disso, o desafio dos investidores foi proteger seus investimentos da alta da inflação e manter seu valor patrimonial. Por isso a procura por títulos públicos e fundos imobiliários aumentou. Mas será que esses investimentos ainda valem a pena?

Título público

O programa Tesouro Direto oferece títulos públicos, produtos de renda fixa, com remuneração atrelada aos indexadores SELIC, IPCA ou taxa prefixada. Os títulos têm taxas e vencimentos definidos, sendo considerados investimentos conservadores, já que seu risco é soberano.

O título Tesouro IPCA+ possui rentabilidade pactuada no ato da compra, uma combinação da inflação mais uma taxa prefixada, por exemplo IPCA + 5% a.a. Essa taxa prefixada é o que chamamos de ganho real, uma vez que somada a ela há a atualização da inflação.

O imposto de renda incide sobre os rendimentos pagos nos juros, no resgate antecipado ou no vencimento e, dependendo do prazo do investimento, os rendimentos serão tributados de acordo com a alíquota regressiva, de 22,5% a 15%.

Fundo imobiliário

O Fundo Imobiliário (FII) é ideal para quem deseja uma renda de aluguel com valor mais acessível, sem burocracia, com diversificação e acesso aos principais empreendimentos. É um produto de renda variável, com negociação da cota do fundo na Bolsa de Valores (B3), e sofre oscilações nos seus preços. Em vista disso, o perfil do investidor deve ser no mínimo moderado.

Uma característica importante é a obrigatoriedade de distribuir, no mínimo, 95% de seus lucros sob a forma de rendimentos aos seus cotistas, com isenção de imposto de renda para pessoa física. Ou seja, os dividendos são isentos de IR para pessoa física e, na venda da cota, se houver ganho de capital, a alíquota será de 20% sobre o lucro.

Os fundos podem ser:

– Fundos de tijolo, compostos por imóveis físicos (shoppings, hospitais, de logística, corporativos e outros);

– Fundos de papel, combinação de títulos atrelados ao mercado imobiliário, aplicações financeiras com recebíveis indexados ao CDI, IPCA ou prefixados: Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), Letras Hipotecárias;

– Fundo híbridos, compostos por cotas de FIIs e títulos financeiros (costumam atuar em mais de um segmento).

Uma particularidade do FII tijolo são os contratos de locação, reajustados à inflação anualmente, enquanto o FII papel tem repasses mensais.

Se continuar o aumento da inflação, o que deve ser considerado na escolha do investimento?

Conforme citado, o principal mecanismo de controle da inflação é a política de juros do Banco Central. E, embora o título IPCA+ e FIIs apresentem proteção contra a alta da inflação, os investimentos mais beneficiados pela alta da inflação e dos juros foram os FIIs papel, com diversos emissores de CRIs e títulos atrelados ao IPCA e ao CDI.

Ao escolher o FII papel, considere os emissores dos CRIs, o rating da empresa, se a gestora tem um bom histórico na alocação dos títulos, o percentual alocado dos indexadores financeiros e a taxa de dividendos (soma dos rendimentos distribuídos nos últimos doze meses divididos pelo valor da cota). Considere também que reinvestir os rendimentos mensais dos FIIs gera mais ganhos.

O que devemos considerar? Sejam títulos públicos, sejam fundos imobiliários, avalie se estão adequados à estratégia, ao perfil de investidor, aos riscos envolvidos e ao prazo do investimento, pois são produtos para médio a longo prazo. Para ter mais tranquilidade com as volatilidades e diluir o risco de inadimplência, evite fundos imobiliários concentrados em um só emissor ou credor e lembre-se: diversifique! Existe uma variedade de investimentos adequados ao seu perfil e a seus objetivos.

Sarai Elizabeth Vega Molina, planejadora financeira certificada CFP®. (Certified Financial  Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejamento Financeiro. E-mail: [email protected].

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. 

Texto publicado no site Época Negócios em 05 de Julho de 2022

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