Como criar um plano de investimento?

Janser Rojo, CFP®, responde: 

Em um cenário de tanta incerteza, como investir para que o dinheiro seja fonte de tranquilidade e não de mais stress? Todo mundo quer saber qual é a “bola da vez” no mundo dos investimentos, mas a verdade é que ter uma estratégia pode trazer resultados muito mais sustentáveis.

A resposta está no Plano de Investimento. Isso parece simples, mas na prática poucos sabem trazê-lo para a sua realidade.

Um Plano de Investimento começa respondendo a seguinte pergunta: para que você quer ter dinheiro no futuro?

Pare para pensar: só vale a pena guardar e investir dinheiro se este servir para cumprir algum objetivo no futuro, certo? Quais são esses objetivos? Perceba que essa é uma resposta muito pessoal, por isso o Plano de Investimento é diferente para cada pessoa. Não existe um investimento certo para todos!

Talvez você não tenha parado para pensar ainda nos seus objetivos, mas esse é o ponto de partida. Todos querem realizar algo, seja comprar bens, seja viver experiências diferentes (como em viagens) ou juntar dinheiro suficiente para não precisar trabalhar em idade avançada.

A segunda etapa seria colocar esses objetivos em uma linha do tempo. Qual o horizonte para a realização desses objetivos? Para facilitar, muitos os agrupam nas “caixinhas” de curto, médio e longo prazo.

Chegamos então à última etapa do Plano de Investimento, que trata de traduzir essas caixinhas em três variáveis: Rentabilidade, Risco e Liquidez.

Os investimentos para cumprir os objetivos de curto prazo provavelmente priorizarão menor risco e maior liquidez. Perceba que a rentabilidade aqui deixa de ser a principal variável, já que nem existe espaço suficiente para a “participação” dos juros compostos. Aqui também deveria entrar a famosa reserva de emergência, que cumpre o papel de proteção.

Os objetivos de médio prazo já começam a trazer uma reflexão mais aprofundada sobre qual relação entre Risco x Retorno aceitamos. É aqui que se fazem necessários aqueles testes de perfil do investidor. Conservador, moderado, agressivo? Todas essas classificações se referem a quanto você suporta as oscilações de mercado para tentar alcançar uma maior rentabilidade. Mais um aspecto que faz do seu Plano de Investimento  único. A liquidez imediata aqui não é tão importante, já que sabemos que esse dinheiro será utilizado somente adiante.

A caixinha de longo prazo é aquela em que a Rentabilidade mais faz diferença, pois nela o efeito dos juros compostos é maximizado. E o risco? Muitos autores defendem que no longo prazo o maior risco se compensa, pois os ativos respeitam uma tendência de crescimento mesmo com as oscilações no meio do caminho. Ainda assim, é importante que o investidor respeite o seu perfil, senão sofrerá o stress (que queremos evitar) no meio do caminho e poderá até querer resgatar os investimentos em um momento de baixa no mercado. No longo prazo, outra variável muito importante é a da inflação e dos juros reais, pois não adianta uma rentabilidade positiva que no final das contas não represente um aumento do poder de compra. Por último, falando da LIQUIDEZ, novamente temos uma baixa prioridade nessa variável, pois o dinheiro só será utilizado no futuro. A liquidez se torna uma questão importante na época de utilização desses recursos, como no caso de resgates constantes para manutenção do custo de vida na aposentadoria.

Tendo clareza sobre essas questões, está completo seu Plano de Investimento! Opa, mas espera aí: e os produtos? Essa é a beleza de ter um plano; os produtos em si são a consequência de um plano bem feito! Bons profissionais, seja em bancos ou corretoras, poderão sugerir “rechear” o plano com os melhores produtos que têm em sua plataforma.

O Plano de Investimento é a estratégia por trás dos produtos, é realmente o que traz tranquilidade aos investimentos, sabendo que os objetivos estão sendo alcançados e respeitando o risco que não tira seu sono. Mesmo parecendo complicado em um primeiro momento, desenhe seu plano e você terá em mãos o mapa para guiá-lo em direção aos seus sonhos, livrando-o das armadilhas no meio do caminho

Janser Rojo é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial  Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: janser.rojo@gfai.com.br

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Texto publicado no site Época Negócios em 15 de dezembro de 2020.