Consultório Financeiro

Como cuidar dos investimentos durante a pandemia?

“Sou Investidor Qualificado e tenho dúvidas de quais caminhos devo seguir para cuidar melhor da minha família e meu patrimônio durante esse período de pandemia.”

Maickel Curiel, CFP®, responde:

Prezado leitor, essa questão tem sido muito frequente, já que o Brasil nunca passou por uma crise sanitária como essa, nem teve a SELIC nesse patamar. Se pararmos para pensar, há muito tempo o investidor estava mal acostumado e ganhar o famoso 1% ao mês era trivial até mesmo para os ultraconservadores. Em 2016, por exemplo, a taxa era de 14,25% a.a. e era necessário apenas seis anos para dobrar o capital investido. Hoje, em 2,25% a.a., levará longos trinta e dois anos. Provisoriamente ou não, teremos que nos adaptar.

Na outra ponta, o COVID-19 tem trazido mudanças em relação ao consumo, convívio social e profissional. Quando falamos de dinheiro não é diferente, além da dificuldade natural que alguns encontram em suas atividades, investir de forma consciente e manter o foco em seus objetivos tem sido desafiador. Deste modo, tenha paciência, utilize fontes confiáveis para se informar e não seja impulsivo.

Embora seja prematuro afirmar se o pior já passou, observamos recuperação de parte dos ativos nos últimos meses e alguns investidores viram sua rentabilidade deixar o território negativo. Contudo, além dos potenciais problemas decorrentes da baixa atividade econômica, contração do PIB e aumento dos gastos públicos, vale ressaltar que a cura do COVID-19 ainda não foi encontrada e alguns países estão preocupados com segundas ondas de infecções. Esse é um tema extremamente complexo e muito do que acontece no mercado financeiro, para o bem ou para o mal, não necessariamente reflete a realidade. Manter o otimismo é fundamental, mas não deixe de ser realista.

Desta forma, não tome suas decisões de investimento baseado apenas em rentabilidade passada ou conselhos de amigos. Para os ativos de renda fixa, avalie bem os prazos, remunerações, garantias, emissores, tipos das operações, classificação de rating e qualidade do crédito. No caso dos fundos, além das estratégias de cada um, observe critérios técnicos de eficiência e risco pouco explorados como Índice de Sharpe, Tracking Error, Information Ratio, Correlação, Volatilidade etc. e, no caso das ações, avalie bem a empresa, leia relatórios de especialistas devidamente certificados, siga as recomendações de profissionais para executar as ordens e divida seu portfólio em proporções adequadas. Leve em consideração seu perfil de investidor, horizonte de tempo e objetivos.

Para muitos, é comum dedicar parte do tempo para acompanhar o resultado dos seus investimentos, mas alguns esquecem de outros aspectos importantes do planejamento financeiro. Aproveite também para rever seus ativos imobilizados, documentações e a necessidade de uma previdência privada ou contratação / manutenção de um seguro de vida. Existem alternativas extremamente simples e eficientes que trarão conforto e farão muita diferença para proteger seus ativos para as próximas gerações e minimizar impactos tributários. Independentemente dos caminhos que tome, mantenha uma reserva em liquidez para as oportunidades ou emergências e tenha suporte de um profissional de confiança para auxiliá-lo em todas essas questões. Acredite, isso nunca foi tão necessário.

Quanto à crise, por pior que possa parecer, um dia passará. Só tenha a certeza de que fará tudo que está ao seu alcance para sair dela melhor do que entrou.

Boa sorte e até breve!

Maickel Curiel Marcantuono é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: m.curiel@maestrocapital.com.br

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 13 de julho de 2020

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