Consultório Financeiro

Como deixar mãe idosa amparada em caso de morte?

Minha mãe está com 80 anos e, apesar de receber a pensão do meu pai, depende de mim para as suas despesas, como plano de saúde, medicamentos e despesas extras. No caso do meu falecimento, não gostaria de deixá-la dependente da minha esposa e meus filhos. Qual o melhor jeito de deixá-la amparada? Tenho como deixar um dinheiro separado para ela?

Ricardo Gomes da Silva, CFP®, responde:

Nobre preocupação, caro leitor. Por você ter filhos, independente do regime de comunhão de bens de seu casamento, sua mãe deixa de ser sua herdeira. Entretanto, lhe é permitido dispor de parte de seus bens em testamento, para quem você quiser, obedecendo as regulamentações específicas para sucessão. Mas isto fará com que seu inventário seja obrigatoriamente judicial, o que o tornará mais demorado e custoso.

As alternativas mais simples são os seguros de vida e/ou os fundos de previdência privada. Os recursos serão liberados rapidamente aos beneficiários e, conforme o Estado, isento de impostos. Em ambos você pode colocar sua mãe como um de seus beneficiários, tomando o cuidado apenas de, no caso do fundo de previdência, o montante dela não ser superior ao permitido pela lei.

A estratégia a ser adotada dependerá de sua idade e de seu patrimônio financeiro atual. Se você não possui investimentos com liquidez, em valor superior às necessidades futuras de sua mãe, será necessário contratar um seguro de vida com esta cobertura enquanto forma o fundo de previdência. Lembrando que o prêmio pago por este seguro tenderá a ser mais alto conforme sua idade. Se você já possui um seguro de vida ou um fundo de previdência, poderá alterar os beneficiários para incluir sua mãe.

Mas antes disto, é necessário que você estime qual é o valor deste montante. Utilize os valores que contribui hoje mensalmente e multiplique pelos meses de expectativa de sobrevida de sua mãe. Seja bastante conservador nesta estimativa. Lembre-se de gastos que não ocorrem todos os meses e também de que ela poderá ultrapassar os 100 anos.

Um exemplo: suponha que sua ajuda mensal é da ordem de R$ 2 mil e, entre outros gastos não frequentes anuais, outros R$ 5 mil. Logo, um total de R$ 29 mil anuais. Até os 100 anos você dispenderá aproximadamente R$ 580 mil.

Este pode ser o montante do fundo ou da cobertura do seguro.

Esta estimativa precisará ser refeita anualmente pois estes valores mensais com certeza se alterarão, ou por mudança dos custos de cada item, ou por aumento ou diminuição das despesas necessárias.

Por outro lado, o multiplicador diminuirá. Por isso, no caso de não possuir todo o montante para a formação deste fundo, o mais adequado é contratar um seguro de vida na modalidade temporária decrescente, que será mais barato que um seguro normal e, com a diferença, você fará os aportes mensais para a formação do fundo, de forma que, quando o seguro findar, você já terá no fundo o suficiente para as necessidades futuras.

Esta mesma preocupação deve ser estendida a seus filhos, se ainda em idade escolar, e à sua família como um todo, para que tenham recursos para fazerem frente ao seu inventário e à falta de sua renda ao menos por um ano após seu falecimento.

Importante pesquisar, entre os seguros e fundos de previdência, aqueles mais adequados às suas necessidades e possibilidades. Um planejador financeiro pessoal poderá lhe ajudar no cálculo deste montante e na formatação da estratégia.

Ricardo Gomes da Silva é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: ricardo.gomes@lifefp.com.br.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br.

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 27 de março de 2017

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