Consultório Financeiro

Como investir no Tesouro Direto com pouco dinheiro?

Mecanismo foi criado para ser simples e democrático e permite que todo cidadão torne-se investidor

Sandra Melo CFP®, responde:

Investir no Tesouro Direto pode parecer difícil e inacessível, mas a verdade é outra, ele foi criado para ser simples e democrático. Por isso, todo cidadão pode se tornar um investidor.

O Tesouro Direto foi lançado em 2002, numa parceria entre o Tesouro Nacional e a B3 (bolsa de valores oficial do Brasil), com o objetivo de vender títulos públicos para pessoas físicas de forma 100% on-line com aplicações a partir de R$ 30,00.

Com planejamento e disciplina, é possível utilizar as facilidades do Tesouro Direto para criar seus objetivos de curto, médio e longo prazo. Além disso, é a aplicação com menor risco de crédito, por ter baixa possibilidade de não pagamento pelo Governo Federal. 

Para começar a investir no Tesouro Direto, você só precisa ter conta numa instituição bancária ou corretora, que muitas vezes pode ser feita pela internet e sem custo. Estão disponíveis o Tesouro Selic, o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+. Apesar de terem data programada para resgate, definida na aplicação, os títulos podem ser vendidos de forma antecipada, a qualquer momento, por possuírem alta liquidez. Porém, é importante atentar para a oscilação de preço, que pode ser maior ou menor que o valor da compra de acordo com o preço de mercado no dia da venda, sendo diferente para cada título.

Se a ideia é ter uma reserva de segurança ou um investimento de curto prazo, então a sugestão é investir no Tesouro Selic, que é atrelado à Taxa Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, e possui menor risco em caso de venda antecipada. Se aumentar a Taxa Selic, sobe a rentabilidade e, se ela diminuir, reduz a rentabilidade. Segundo o relatório Focus do Banco Central divulgado em julho de 2022, a projeção é terminar o ano com Selic em 13,75% a.a., o que é representativo, pois já tivemos no histórico recente taxa de 2% ao ano.

Agora, se o planejamento é de médio e longo prazo, então o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ atendem a esse objetivo. No caso do Tesouro Prefixado, você já fica sabendo no momento da aplicação quanto vai receber de rentabilidade no resgate. No Tesouro IPCA+, a rentabilidade está atrelada ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), inflação oficial no país, além de uma parte que é prefixada (taxa de juros estabelecida no momento da compra), tornando esse investimento atrativo considerando ganho real em relação à inflação acumulada no período. No Tesouro IPCA+, existem opções com ou sem juros semestrais.

Os custos envolvidos na compra do título público são: taxa de custódia da B3, taxa de administração, imposto de renda sobre o rendimento e IOF para resgates com menos de 30 dias. A taxa de custódia é cobrada semestralmente ou no resgate, sendo 0,20% ao ano sobre o valor do título em carteira e, no caso do Tesouro Selic, isento até R$ 10.000,00 por CPF. Quanto à taxa de administração, podem ser consultados no site do Tesouro Direto os valores cobrados por cada instituição, porém muitas oferecem isenção. Já o imposto de renda sobre o rendimento é cobrado no resgate, começa em 22,5% para aplicações até 180 dias e pode chegar à menor tributação de 15% após 720 dias de aplicação.

Agora que você conhece um pouco mais sobre o Tesouro Direto e sabe que é um instrumento de planejamento financeiro acessível a todos, só precisa começar a guardar seu dinheiro, agendar todo mês uma reserva e projetar seu futuro.

Sandra Melo é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejamento Financeiro. E-mail: [email protected]

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do Jornal Valor ou da Planejar. O Jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: [email protected]

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 19 de Setembro de 2022.

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