Consultório Financeiro

Como faço para evitar riscos de fraude nos investimentos?

“Tenho lido que têm acontecido fraudes em produtos do mercado financeiro. Tenho visto muitas ofertas de investimentos diferenciados. O que devo observar para não cair em uma armadilha de fraude financeira?”

Leticia Camargo, CFP®, responde:

Tendo em vista o momento que estamos vivendo de taxas de juros baixas, muitos estão vendo seus investimentos rendendo pouco ou até perdendo para a inflação… Esse fato tem deixado essas pessoas desanimadas com seus investimentos mais conservadores.

Com isso, muita gente tem procurado diversificar seus portfólios de forma a receber melhores rendimentos. Porém, alguns têm saído da poupança devido aos baixos retornos e procurado alternativas muito arriscadas, pois estão à procura de melhores rentabilidades e muitas vezes não entendem corretamente o risco a que estão expostos.

Para o público em geral, nem sempre fica muito claro em quais investimentos aplicar e quais evitar… E temos visto no mercado muitas ofertas com a ilusão de que, com pouco esforço ou baixo investimento, será possível obter altos retornos, muito acima da média do mercado.

Muitas vezes essa oferta de investimento nem é uma fraude em si, como é o caso do day trade (operação de compra e venda de um ativo no mesmo dia), cujo intuito é auferir altos ganhos em um curto período.

Afinal, onde está o problema? A questão é que há vendedores de cursos de day trade que prometem soluções mágicas de ganhos certos com apenas algumas horas de aprendizado, como se essas operações fossem fáceis e apropriadas para qualquer pessoa.

Não é proibido efetuar operações de compra e venda no mesmo dia, porém é muito difícil obter ganhos recorrentes nesse tipo de operação, mesmo para os mais experientes profissionais do mercado financeiro!

Por outro lado, temos visto situações em que são oferecidos produtos financeiros não regulados e/ou por pessoas que não estão aptas a oferecer investimentos. Aí, sim, pode-se configurar uma fraude financeira. Normalmente, em ambas as situações são prometidos ganhos rápidos e certos para quem “investir” em determinado produto.

Desconfie se a oferta for muito tentadora, se tiver que levar alguns amigos para “investir” junto com você e, principalmente, se tiver que enviar seus recursos para a conta corrente do próprio profissional. Desconfie também se a oferta for baseada na escassez e na urgência, com frases do tipo “compre agora” ou “invista o quanto antes”.

Investimentos financeiros devem ser efetuados por meio de produtos regulados e de instituições financeiras idôneas que façam parte do mercado formal de investimentos. Pesquise no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que é o órgão regulador do mercado, se a empresa é registrada, se há informação sobre o profissional e sobre o produto.

Não acredite em falsas promessas de altos retornos em um curto período! Não existe investimento que vai deixar você rico de uma hora para a outra. Não existe ganho fácil. Se lhe oferecerem algo desse tipo, desconfie de fraude.

Será preciso ter muita disciplina e paciência, além de dedicar horas e horas de estudo, para aprender sobre os produtos financeiros e poder diversificar adequadamente a sua carteira de investimentos.

Estude bastante sobre os investimentos, de preferência em fontes seguras de informação. Ou, então, procure o auxílio de um profissional habilitado para tal, como um consultor de valores mobiliários ou um agente autônomo de investimentos, que seja registrado na CVM.

Leticia Camargo é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: leticia@leticiacamargo.com.br.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 11 de janeiro de 2021

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