Consultório Financeiro

É preciso falar sobre os objetivos

Sempre que falo sobre onde investir meus recursos, me perguntam quais são os meus objetivos. Por que é tão importante saber quais os objetivos antes de decidir onde investir?

Paulo Ribeiro, CFP, responde:

Os investimentos no mercado são feitos de tal forma a atender aos objetivos financeiros dos investidores. Nesse sentido, a construção de uma carteira de investimentos leva em conta tais objetivos, assim como restrições específicas de cada investidor. A capacidade de poupar periodicamente, o volume investido, a idade do investidor e o ciclo de vida são algumas das restrições relevantes para a determinação do objetivo.

Esse objetivo é determinado de modo a ser consistente ao longo do tempo. Cobrir o custo de vida após a aposentadoria, a compra de um segundo imóvel e a constituição de uma reserva para pagar os gastos com educação do filho são exemplos de objetivos resilientes ao tempo. Entretanto, o objetivo de investimento está suscetível a mudanças conforme a dinâmica da economia e de novos eventos na vida do investidor. Por exemplo, um investidor que tenha recebido uma herança inesperada deve revisitar sua política de investimentos e verificar como seus objetivos mudaram com a nova situação.

A política de investimentos é o documento que contém as informações referentes aos objetivos financeiros do investidor, o grau de risco que o investidor está disposto a correr bem como o grau de risco que o investidor tem capacidade de correr. Além disso, consta na política de investimento as restrições de necessidade de recursos no curto prazo, de horizonte de investimento e de tributação.

O objetivo de investimento deve ser composto por metas realistas, que estejam em conformidade com as necessidades do investidor e com o conjunto de investimentos disponíveis no mercado financeiro. Estabelecer um objetivo de investimento possibilita ao investidor maior controle sobre os resultados esperados e permite verificar de forma dinâmica se a carteira de investimento está em consonância com o objetivo estabelecido, além de proteger o investidor contra a tentação de buscar oportunidades de curto prazo que não estejam em linha com as metas predefinidas.

A definição do objetivo de investimento deve ser tomada em conjunto com a avaliação de risco. Um indivíduo que possua um objetivo de investimento inconsistente com o risco pode se ver na situação de adiar a aposentadoria ou aceitar um menor padrão de consumo futuro.

O investidor também deve evitar criar uma carteira distinta para cada objetivo. Por exemplo, do total disponível para investir, o investidor poderia escolher 30% com objetivo de adquirir um imóvel e 70% com a finalidade de constituir uma herança para os filhos. Ao segregar a carteira de investimento em duas, o investidor não considera que há relação entre as aplicações da primeira com as da segunda carteira, perdendo uma das mais importantes vantagens de se construir uma carteira conjunta de investimento: o ganho com a diversificação entre as aplicações. O investidor pode possuir mais de um objetivo, porém a carteira de investimento constituída de forma agregada se beneficia da diversificação na escolha planejada das aplicações.

Portanto, a definição dos objetivos ao investir é o alicerce da escolha das aplicações. Ela é o guia principal que permite ao investidor decidir os investimentos que farão parte de sua carteira.

Paulo Ribeiro é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). E-mail: psoribeiro@me.com

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou do IBCPF. O jornal e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para:

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Texto publicado no jornal Valor Econômico em 07 de março de 2016.

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