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Quanto preciso poupar por mês para aposentar aos 55 anos?

Tenho 40 anos, emprego estável, casa própria quitada, carro próprio quitado e 17 vezes o valor do meu salário mensal aplicado em diferentes investimentos. Gostaria de parar de trabalhar com 55 anos. Qual percentual do meu salário preciso poupar por mês para juntar a esses 17 meses de salário já investidos e qual retorno podemos dizer que seja bom com a atual taxa de juros para que eu consiga viver de juros? Hoje meu custo de vida é de 80% do meu salário mensal. 

Ana Lucia Rocha, CFP®, responde:

Viver de renda é um sonho de muitos, mas a realidade de poucos. Mais do que definir uma quantia fixa, a ideia é tornar o investimento uma renda para viver e realizar os sonhos que se desejam. Alguns fatores como idade, prazo, salário e despesas podem influenciar os valores a serem guardados.

A renda passiva é o conceito mais importante para quem quer viver dos investimentos. Nela, o valor recebido tem como origem a remuneração dos investimentos em produtos do mercado financeiro em uma renda periódica que não está ligada a um trabalho ou emprego específico. 

Como viver de renda passiva? 

Desde o momento em que se começa a trabalhar e ter as primeiras fontes de renda, é preciso dar início a um bom plano de investimentos para chegar à aposentadoria. Esse processo passará por três fases: 

  • Fase de acumulação: essa fase pode se iniciar já nos primeiros anos de vida, quando os pais contratam um plano de previdência ou até mesmo começam uma poupança com a mesada. Nessa primeira fase, os investidores tendem a ter maior tolerância a risco e buscam a diversificação; 
  • Fase da multiplicação: já com algum patrimônio acumulado, o investidor busca multiplicar os recursos e assim começa a elaborar estratégias para preservar o que foi acumulado até então; 
  • Fase de preservação: quando acumulou o suficiente para uma renda passiva, o investidor tende a buscar formas de proteger e manter seu patrimônio para desfrutar dos seus objetivos. 

Como calcular a renda passiva para viver de dividendos? 

Para calcular uma renda ideal para o futuro, é preciso definir quanto se deseja ter de rendimentos por mês e a taxa de retorno do capital investido. Esse cálculo deverá ser feito a partir da divisão da renda anual desejada pelos juros reais. 

Por exemplo: digamos que para se aposentar o investidor queira uma renda de R$ 10.000 por mês (ou R$ 120.000 por ano). A taxa Selic atualmente está em 12,75% a.a., a inflação projetada para os próximos 12 meses é de 5,91% e a taxa de juros real é de 6,46%. Com isso, R$ 120.000 ÷ 0,06 = R$ 2 milhões. Ou seja, para se ter uma renda mensal passiva de R$ 10 mil no futuro, é preciso ter um patrimônio de R$ 2 milhões com rentabilidade de 6,46% a.a.

Como é impossível saber qual será a inflação e como ela se comportará ao longo dos anos, é importante aumentar a taxa de retorno com investimentos que superem a inflação. Uma boa maneira de vencer a inflação é aumentar os aportes mensais considerando o IPCA do período. Outra maneira eficiente de conquistar o objetivo de viver de renda é investir em ativos de longo prazo. Entre esses ativos, podemos citar: 

  • Ações: Investir em ações pode fazer sua renda passiva de duas formas. A mais conhecida são os dividendos pagos periodicamente pelas empresas a partir da divisão do lucro entre os acionistas. E a segunda forma é o lucro proveniente da compra e venda das ações, dependendo de sua valorização no mercado; 
  • Fundos imobiliários: Nesse tipo de investimento, o recurso investido é aplicado em empreendimentos como imóveis e a rentabilidade se dá na valorização dos investimentos e/ou no recebimento de aluguéis dos imóveis investidos. Como cotista, é possível receber rendimento periódico proporcional ao número de cotas; 
  • BDR (Brazilian Depositary Receipts): São uma espécie de certificados que representam, na Bolsa brasileira, ações de uma empresa estrangeira que não é negociada no Brasil. As BDRs oferecem ao investidor dividendos, que se tornam uma renda periódica, além da própria rentabilidade do investimento.

Não há uma forma única de calcular quanto se deve destinar aos investimentos. É preciso analisar a renda atual, a idade atual, o tempo até a aposentadoria, entre outros fatores. De forma geral, é recomendada para a faixa de 40 a 50 anos uma parcela de 30% do salário. 

O segredo é conhecer o perfil do investidor, de acordo com a tolerância ao risco, e assim determinar os objetivos financeiros e a escolha certa para eles. Conte sempre com um profissional certificado para auxiliar as suas decisões de investimento. 

Ana Lucia Rocha Soares é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejamento Financeiro. E-mail: [email protected]

As respostas refletem as opiniões da autora, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. 

Texto publicado no site Época Negócios em 07 de Junho de 2022

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