Consultório Financeiro

O avanço e os riscos associados ao bitcoin

Meu filho tem comentado sobre uma nova moeda, o bitcoin, e como diversas pessoas ganharam muito dinheiro fazendo investimentos nela. O que é isso? É arriscado? Como posso comprar?

Max Ricardo Mieto Camilo, CFP®:

O bitcoin é uma moeda virtual, criada e armazenada na rede mundial de computadores, sem interferência de um banco central e que pode ser aceita no mundo inteiro. 

O bitcoin já passou, em seus poucos anos de existência, por altas exorbitantes, quedas vertiginosas até por sua própria crise, que eclodiu há alguns meses quando uma de suas principais casas de câmbio quebrou em meio a suspeitas de fraudes e manipulação de saldos. O problema causou uma hecatombe cibernética e financeira de milhões de dólares para milhares de pessoas ao redor do mundo. 

Apesar disto, o sistema sobreviveu e ainda atrai atenção, curiosidade e principalmente recursos financeiros de muitas pessoas. 

A cotação de um bitcoin, que já foi equivalente a poucos centavos de dólar e também a mais de mil dólares, é formada conforme o interesse dos investidores, que forçam o preço para cima ou para baixo, tal qual ocorre com uma ação listada em Bolsa de Valores. 

Por ser imprevisível o seu preço em qualquer moeda local, o bitcoin deve ser tratado como um ativo de risco, aliás, alto risco. Momentos de incertezas podem gerar temores e nervosismo, o que nunca é bom para nenhum investimento. 

Como o bitcoin pode ser convertido instantaneamente em moeda local, uma avalanche de vendas pode fazê-lo perder valor, e muito, de uma hora para outra. Hoje, um bitcoin equivale a algo em torno de R$ 1.400 (www.mercadobitcoin.com.br). 

Os aspectos práticos do dinheiro virtual são interessantes, pois é possível negociar por computador ou celular, rapidamente, qualquer quantidade, inclusive fracionária. 

Para começar, basta o usuário abrir uma conta em site especializado e nela armazenar seu saldo. A partir de então, pode-se receber bitcoins na conta. Os bitcoins podem ser enviados a qualquer outro usuário que também possua uma conta. 

Alguns estabelecimentos como pousadas, oficinas de bicicletas, agências de viagem e até pizzarias já aceitam bitcoins como forma de pagamento. Uma pessoa pode adquirir bitcoins em casas de câmbio especializadas, mediante pagamento em moeda local ou aceitando como pagamento por produtos e serviços prestados. 

As transações efetuadas com bitcoins são irreversíveis e ficam armazenadas como prova da existência daquela quantidade dentro da estrutura. 

Outra possibilidade de obter bitcoins é disponibilizando um computador para fazer parte de todo o pesado processamento e manutenção da estrutura virtual da moeda. Essa concessão de equipamento, por assim dizer, é remunerada com bitcoins e é denominada mineração. O ganho por isso, diga-se de passagem, é muito baixo. 

O bitcoin, apesar de não ser moeda do ponto de vista regulatório, pode ser comparado a um ativo financeiro, que, para a Receita Federal, deve ser registrado na ficha Bens e Direitos da declaração anual, sob o código 99 “Outros bens e direitos” e ter, conforme artigo 2º da Lei nº 9.250/95, recolhimento de IR de 15% sobre eventual ganho de capital. O ganho é isento se as vendas de bitcoins e outros bens de pequeno valor não superarem R$ 35 mil no mês. 

Enfim, é uma nova modalidade de moeda, em rápida evolução, que já gerou prejuízos concretos e ganhos notáveis, e que pode ser, num futuro não muito distante, algo tão corriqueiro quanto enviar e receber um e-mail.

Max Ricardo Mieto Camilo é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected]

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: [email protected]

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 13 de outubro de 2014.

0