Seu Planejamento Financeiro

O que fazer com a restituição de imposto de renda?

Lucas Signorini Reinhardt, CFP®️, responde:

Falando sobre entrada de dinheiro em caixa, a indicação mais prudente é priorizar a quitação de dívidas antes de pensar em fazer qualquer tipo de investimento.

O motivo é simples: operações de crédito incorrem em juros. Como o mercado trabalha com spread (diferença percentual entre emprestar e tomar emprestado), as taxas que você paga são maiores do que as que recebe, logo não é uma decisão lógica incorrer em pagamento de juros enquanto se tem dinheiro estocado em conta ou até mesmo investido, não é mesmo?

Para o pagamento de dívidas, priorize a quitação das operações com as maiores taxas de juros, lembrando que ao antecipar o pagamento de empréstimos você recebe descontos, pois realiza uma devolução antecipada dos recursos que tomou emprestado. Assim, você terá dois ótimos benefícios: desconto no pagamento dos juros e uma folga em seu orçamento.

Caso não tenha nenhuma dívida ou tenha restado algum recurso após a quitação das operações de crédito, uma boa opção pode ser o pagamento antecipado de obrigações futuras, a depender do desconto ofertado. Um exemplo é a antecipação de prestações de uma compra parcelada no cartão de crédito. Além de algumas administradoras oferecerem desconto nessa antecipação, você libera espaço em seu orçamento, o que é algo bastante positivo.

Mas, agora, se você não possui operações de crédito nem obrigações futuras, a melhor opção é investir os seus recursos.

Antes de escolher uma carteira de investimentos, consulte um planejador financeiro de sua confiança para verificar seu perfil, seus objetivos e sua capacidade financeira. Dessa forma, você terá mais chances de ter uma recomendação embasada em critérios técnicos de alocação.

Mas investir de forma autônoma também é uma opção. Nesse caso, o mais importante é alinhar sua carteira de investimentos ao seu perfil e seus objetivos, afinal não existe um “melhor investimento”, mas aquele que mais se encaixa no seu momento financeiro e lhe entrega a maior utilidade possível do ponto de vista da relação risco/retorno.

Independentemente de quais sejam seus objetivos, algumas recomendações costumam ser peças-chave em bons cases de planejamento financeiro, por isso uma boa sugestão é segregar seu capital em quatro blocos de classificação:

– Orçamento e qualidade de vida;

– Reserva de curto prazo (emergência);

– Geração de patrimônio;

– Aposentadoria.

Sua restituição pode ser direcionada para um ou mais desses blocos e as proporções de alocação variam conforme o seu estágio de vida e sua realidade financeira.

É importante lembrar que cada investimento deve ser compatível com as características do seu objetivo, respeitando sempre o conhecido tripé de investimentos: Liquidez, Segurança e Rentabilidade. Nunca será possível encontrar essas três variáveis atuando simultaneamente em um investimento, o que obriga o investidor a invariavelmente abrir mão de uma.

Para a composição de uma carteira de investimentos, as alocações para as contas Orçamento e Reserva de Curto Prazo devem ser realizadas em veículos de investimento que entreguem alta liquidez e segurança; já o item rentabilidade passa a ser um fator secundário de avaliação. Nesse caso, o objetivo não é alcançar um crescimento substancial de patrimônio, mas um investimento líquido e seguro para lançar mão em circunstâncias de curto prazo.

Exemplos de investimentos com esse perfil podem ser Tesouro Selic e Fundos DI, mas fuja das opções com aplicação automática; elas costumam cobrar altas taxas de administração que acabam por corroer grande parte da rentabilidade do investimento.

Já para os blocos Geração de Patrimônio e Aposentadoria, o perfil dos investimentos muda significativamente, pois a liberdade nas escolhas se torna maior, permitindo um maior grau de versatilidade no posicionamento. Sendo assim, o indicado é priorizar o fator rentabilidade e abrir mão da liquidez ou segurança.

Falando sobre finanças, o país vive um momento privilegiado. O brasileiro nunca falou tanto em investimentos como na era atual (o que é algo bastante positivo), porém o alto fluxo de informações traz consigo o risco de recomendações indiscriminadas, que representam um importante ponto de alerta ao investidor. A principal recomendação é: faça investimentos que estejam dentro do seu âmbito de compreensão e tome cuidado com aventuras e dicas de pessoas que não são da área. Seus investimentos têm uma função muito clara a cumprir: proporcionar conforto, tranquilidade e segurança. Sem essas variáveis, o processo perde seu propósito, então jamais aceite pôr esses valores em risco.

Lucas Signorini Reinhardt é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP®️ (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: lucas@advisorsbrasil.com

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Texto publicado no site Época Negócios em 13 de julho de 2021.

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