Consultório Financeiro

O que fazer com meu dinheiro na atual crise econômica?

José Cravo, CFP®, responde:

Prezados leitores, o questionamento é muito pertinente, porque atualmente vivemos umas das piores crises econômicas e epidemiológicas dos últimos 100 anos. Devemos entender que com a adoção de algumas medidas, evidencia-se a crise da economia. Isso porque não sabemos como serão estabelecidos a manutenção de alguns serviços, comercialização e/ou distribuição de determinados produtos. E assim, com a diminuição ou ausência do volume de negócios, quais as empresas irão apresentar dificuldade ou mesmo sobreviver. Tal situação gera uma grande contração de consumo e insegurança nas empresas e nas pessoas físicas, sejam investidores ou não.

Para superar o atual momento, devemos ter em mente, principalmente nas ações que envolvam questões financeiras, não apenas planejamento, mas o acompanhamento das mudanças de mercado que podem afetar drasticamente nossas vidas e ser “pé no chão”. Afinal, surgem novas variáveis e cenários praticamente da noite para o dia, como foi o caso da “guerra de preços” do petróleo.

Outra questão relevante e muito interessante é que o investidor se conheça. Não apenas ter em mente seus objetivos e horizonte de investimentos, mas antes de tudo, identifique o seu perfil de risco. É extremamente importante ter a visão do nível de risco que está disposto a correr, pois com a crise podemos ter eventuais diminuições no patrimônio por um de determinado período e por isso é necessário saber lidar com essa situação. Para lhe auxiliar nesse processo, existem algumas ferramentas que são, inclusive utilizadas pelas Instituições Financeiras, conhecidas como Suitability.

Assim, sugere-se que antes de pensar em investimentos, desenvolva e constitua sua reserva de emergência, ou seja, poupe para sobreviver por 12 meses sem qualquer outra remuneração. Obviamente que esse valor pode variar. Percebe-se casos em que 3 meses serão suficientes por existir um outro provedor que irá manter o atual padrão. Em outros casos, poderão ser 9 meses e assim “gestacionar” uma nova carreira ou empreendimento. As principais características dessa reserva são: extrema liquidez e mínimo de risco, ou seja, adotar uma postura conservadora. Após constituir a reserva, pode-se pensar em diversificação e estratégias, respeitando os projetos pessoais e otimização dos tributos.

Quanto as atuais oportunidades, devemos lembrar que o mais importante é se ter caixa disponível para efetuar as aplicações no momento adequado. Essa sempre foi uma das principais estratégias de um dos mais conhecidos investidores do mundo, Warren Buffett. Com “dinheiro na mão” aproveitar as oportunidades, comprando barato e vendendo caro, com isso realizando lucro.

Por tanto, lembre-se que investir não é como correr 100 metros, mas sim uma maratona onde além de conhecimento do percurso e estratégia deve-se respeitar os seus limites.

Por fim, não se acanhe de adotar uma estratégia conservadora e considerar opções de investimentos em produtos de renda que acompanham a taxa de juros da economia (Selic). Em termos práticos, realizará o ganho do “soberano” mercado, mantendo a rentabilidade compatível ao atual cenário.

Procure um banco ou corretora, se informe sobre as condições de cada produto e antes de fazer a sua aplicação faça a análise do perfil.

Esperamos ter ajudado.

Sucesso!

José Carlos Silva Alves Cravo é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected]. Colaborou: Leonardo Tavares Santos, CEA. E-mail: [email protected]

As respostas refletem as opiniões dos autores, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: [email protected].

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 06 de julho de 2020

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