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Onde investir a reserva financeira com segurança, liquidez diária e baixo custo

Marcia Dessen, CFP®:

Os títulos públicos, transacionados por intermédio do Tesouro Direto, são as aplicações mais seguras e baratas entre as alternativas disponíveis no mercado.

A maioria das instituições financeiras deixou de cobrar taxas, restando ao investidor pagar somente a taxa de custódia de 0,25% ao ano, cobrada pela B3.

Desde 1º de agosto deste ano o título Tesouro Selic é isento dessa taxa até o valor de R$ 10 mil. Ela passou a ser cobrada somente sobre o valor excedente.

Exemplificando, uma aplicação de R$ 5.000 ou R$ 10 mil não paga nada. Uma aplicação de R$ 20 mil, que antes pagava R$ 50/ano, pagará R$ 25, pois a taxa de 0,25% incide somente sobre R$ 10 mil. Equivale a dizer que a taxa sobre o montante será de 0,125% (R$ 25 ÷ R$ 20 mil).

Um saldo de R$ 50 mil pagará R$ 100/ano, equivalente a uma taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre o saldo total (R$ 100 ÷ R$ 50 mil).

Atenção: a taxa de custódia de 0,25% ao ano continua sendo cobrada nas aplicações em outros títulos, como o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA, qualquer que seja o valor.

Se compararmos a rentabilidade da poupança (70% da Selic, isenta de IR) com a do Tesouro Selic (100% da Selic, sujeito a IR), a poupança perde nas operações de pequeno valor, mesmo que o saque seja feito antes de seis meses.

Supondo a maior alíquota de IR (22,5%), enquanto a taxa Selic estiver no patamar de 2% ao ano, a rentabilidade líquida do investidor que mantém saldo de até R$ 10 mil será melhor no Tesouro Selic, 1,55% ao ano, ante 1,40% na poupança.

Um saldo de R$ 50 mil ganhará na poupança 1,40% ao ano e praticamente empata com o Tesouro Selic com remuneração líquida de 1,395% após pagamento de taxa (0,20%) e IR de 22,5%.

Para aplicações mais elevadas, sujeitas ao pagamento da taxa cheia de 0,25% ao ano, e se considerarmos a menor alíquota de IR (15%) nas operações de prazo superior a dois anos, o Tesouro Selic ganha, com ligeira vantagem sobre a poupança.

Para investir a reserva financeira, recursos que devem permanecer disponíveis para resgate a qualquer momento, sem o risco de perda no saque ou resgate antecipado, são as melhores alternativas.

Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo em 31/08/2020.

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