Consultório Financeiro

Pretendo morar no exterior daqui a cinco anos. Como me preparar financeiramente para essa mudança e o que devo levar em consideração?

Theo Linero, CFP®, responde:

Prezado(a) leitor(a),

O primeiro passo já foi dado: a decisão a respeito da mudança e, principalmente, da necessidade de se planejar para que você possa aproveitar ao máximo essa experiência.

Ao decidir morar no exterior, abre-se um leque de oportunidades à sua frente e a primeira decisão a tomar é: em qual país e cidade você pretende morar? Essa decisão pode, ou não, estar atrelada ao mercado de trabalho na sua área e esse é um ponto que poderá, inclusive, definir como o planejamento financeiro deve ser pensado: com um trabalho garantido ao sair do Brasil ou com a necessidade de conseguir um trabalho ao chegar ao exterior.

Nos dois casos, é essencial conhecer o local, sua cultura, o sistema de saúde e a situação econômica para, então, estimar seu custo de vida, incluindo despesas como moradia, alimentação, transporte, lazer e saúde. Alguns sites poderão ajudar nessa etapa e, apesar de ser difícil prever como será a economia daqui a cinco anos, ao começar antes você estará mais preparado(a) para eventuais mudanças nos planos ao longo do caminho.

Para este texto, será considerado que você fará a mudança para a cidade dos sonhos sem um emprego já garantido, requerendo um planejamento financeiro mais cauteloso. Assim, considere uma reserva entre seis meses e um ano de despesas na moeda local para sua reserva financeira. O valor exato dependerá de algumas variáveis citadas anteriormente, como a cidade e o padrão de vida desejado. Com esse valor definido, em uma conta simplificada, divida-o pela quantidade de meses faltantes para sua viagem e o resultado será o valor a ser investido mensalmente.

Para investir, comece conhecendo seu perfil de investidor para entender qual sua tolerância a riscos e avalie a construção de uma carteira diversificada de investimentos, dado o prazo até seu objetivo. Considerando que a mudança envolverá, inclusive, a troca de moedas, é importante que parte do valor a ser investido seja direcionada a produtos que visem acompanhar a evolução (valorização ou desvalorização) da moeda do país de destino, servindo como uma proteção do valor a ser levado. Fundos cambiais podem ser boas alternativas para essa finalidade. Em caso de dúvidas, conte com apoio profissional especializado.

Além disso, estude alternativas para transferir o dinheiro para o exterior, garantindo que apenas uma parte do valor seja levada em espécie (dinheiro vivo).

Por fim, faça uma lista de tarefas garantindo que todas as decisões serão tomadas previamente à sua mudança, tais como:

1.   a venda de bens (móveis, roupas, artigos de decoração), que pode inclusive ajudar a compor sua reserva financeira;

2.   a organização de documentos (vistos, certidões, declaração/comprovante de renda, cidadania, entre outros), além do conhecimento a fundo do processo de imigração para o país de destino;

3.   o cancelamento de contratos (aluguel, água, luz, telefone etc.) que você possui no Brasil;

4.   o aluguel de um lugar para ficar nos primeiros dias em sua nova cidade, permitindo a flexibilidade de conhecer bem o local antes de fazer contratos mais longos; e

5.   o envio da Comunicação e, posteriormente, da Declaração de Saída Definitiva do País para a Receita Federal.

Que seja uma jornada de muitas descobertas!

Theo Linero é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Email: theolinero@gmail.com

As respostas refletem as opiniões do autor e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: consultoriofinanceiro@planejar.org.br

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 16 de novembro de 2020

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