Consultório Financeiro

Quais são os riscos de investir em um fundo de cannabis?

O agente autônomo que me atende me indicou um fundo de cannabis. Acho o segmento promissor, mas tenho receio que toda a perspectiva positiva que eu vislumbro para esse mercado já esteja incorporada no preço. Será que esse investimento faz sentido para mim? Quais os riscos envolvidos?

Guilherme Moraes, CFP®, responde:

Prezado investidor, o agente autônomo de investimentos presta informações ou esclarecimentos sobre produtos, e não faz recomendação específica de valores mobiliários.

O mercado de cannabis, apesar de polêmico e controverso, vem passando por profundas transformações nos últimos anos, seja no Brasil, seja no exterior. Se antes a maconha era vista apenas como uma droga ilícita, hoje os produtos derivados da cannabis são vistos como uma indústria promissora e multibilionária.

De acordo com a Euromonitor International, em 2020 a indústria de cannabis movimentou mais de US$ 20 bilhões, e é esperado que os negócios legais no mercado global atinjam US$ 150 bilhões em 2025. Esse crescimento é consequência da mudança na legislação de muitos países, que autorizaram o uso da cannabis para fins medicinais e recreativos.

No Brasil, no início do mês de junho foi aprovado na comissão da câmara o Projeto de Lei 399/2015, que libera o cultivo da cannabis para uso medicinal e industrial.

Dado o crescimento potencial da cannabis e de seus derivados, gestoras de recursos e casas de análises estão aprofundando suas pesquisas em busca de oportunidades de investimentos no setor. Já é possível investir no Brasil com apenas R$ 100,00 em fundos com exposição ao setor, e no exterior existem inúmeras empresas com ações negociadas em bolsa, ou ETFs nos quais é possível diversificar nesse segmento.

Como qualquer outro tipo de investimento, antes de alocar o seu recurso estude profundamente o mercado e entenda as suas características.

Adicionalmente é fundamental conhecer o seu perfil de risco e compreender se esse tipo de investimento faz sentido para o seu portfólio. Os altos retornos do mercado de cannabis nos últimos anos foram acompanhados por fortes oscilações no preço das ações de empresas do setor, desempenho compatível com investimentos de maior risco.

Um dos maiores desafios da indústria é a incerteza jurídica sobre a legalidade do uso. A velocidade de crescimento desse mercado está muito à frente da legislação vigente, e os países estão em estágios distintos nas discussões jurídicas, o que torna o investimento em cannabis e derivados arrojado.  

A regulamentação do uso medicinal e recreativo da cannabis e derivados aumentará o seu consumo legal e carrega junto um enorme potencial tributário, dado o crescimento esperado. Outra aplicação ainda pouco explorada é o uso em cosméticos, culinária e têxteis.

Investidores e pesquisadores apontam na direção de um forte crescimento para a indústria de cannabis e derivados, e ao mesmo tempo alertam para enormes desafios regulatórios enfrentados. Países que saíram na frente na flexibilização da legislação, Uruguai, Canadá, EUA e França, já colhem os frutos dessa iniciativa, seja pela pesquisa em medicamentos, seja pela arrecadação de impostos e pelo uso em outras áreas.

Não resta dúvida de que esse setor tem chamado a atenção de investidores e, dada a evolução da indústria, é possível que um fluxo de recursos vindo de investidores institucionais inunde esse mercado e dê respaldo cada vez mais forte para que empresas de cannabis e derivados entrem de vez no portfólio de alocadores que buscam altos retornos num mercado de forte volatilidade.

Guilherme Moraes é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected].

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: [email protected]

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 13 de setembro de 2021.

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