Qual o melhor papel do Tesouro Direto para investir no cenário atual?

Bruno Mori CFP®, Responde:

Prezado leitor, o Tesouro Nacional oferece três tipos de títulos para investimento através do programa Tesouro Direto. Os títulos públicos ou privados são instrumentos de captação de recursos para os emissores. Uma das características que devem ser observadas é a data de vencimento de cada título. Por definição, quanto mais longo for o vencimento de um título, maior será o seu risco de crédito (que é o risco de não receber o dinheiro investido de volta). Ao comparar a rentabilidade dos títulos com vencimentos diferentes é possível observar que a rentabilidade aumenta conforme os vencimentos ficam mais longos.

O primeiro tipo de título oferecido é chamado de Tesouro SELIC. A rentabilidade desse título é pós-fixada e é composta pela taxa SELIC, que varia ao longo do tempo, mais um percentual, que é determinado na data da compra e permanece fixo até o vencimento. Do ponto de vista da rentabilidade, o investimento nesse tipo de título é recomendado principalmente aos investidores que acreditam que a taxa SELIC vai subir ao longo do tempo.

O segundo tipo de título oferecido no Tesouro Direto é chamado de Tesouro PREFIXADO. Como o nome diz, a rentabilidade desse título é fixada no momento em que o investidor faz a aplicação. É importante entender que a remuneração recebida pelo investidor será fixa somente se os recursos forem mantidos até a data de vencimento. Isso acontece porque o preço dos títulos sofre variação ao longo do tempo. A variação do preço desses títulos causa uma variação de rentabilidade do investimento ao longo do tempo, mas ela será sempre a mesma no dia de vencimento. Isso acontece porque as expectativas do mercado em relação à direção da taxa SELIC mudam ao longo do tempo. Do ponto de vista da rentabilidade, esse tipo de título é recomendado principalmente aos investidores que acreditam que a taxa SELIC vai cair ao longo do tempo.

O terceiro tipo de título é conhecido como Tesouro IPCA+. Sua remuneração fica vinculada ao índice de preços conhecido como IPCA (divulgado mensalmente pelo IBGE). Esse investimento é pós-fixado porque não sabemos qual será a variação percentual do índice no futuro. Assim como o Tesouro SELIC, sua rentabilidade é composta por uma taxa pós-fixada (IPCA) mais uma taxa prefixada – que é fixa e conhecida no ato da compra. O principal apelo desse tipo de título é o aumento do poder de compra do investidor ao longo do tempo. Sendo o IPCA uma cesta de bens e serviços, receber um rendimento acima desse índice aumenta o poder de compra de quem aplica os recursos nesse tipo de título.

A princípio, um título não pode ser considerado “melhor” que outro. Para considerar uma alternativa melhor que outra é preciso avaliar as características de cada investidor. Aspectos como objetivos específicos para o uso dos recursos no futuro, prazo pretendido para utilização do dinheiro investido, expectativas com relação a variação futura da taxa de juros, expectativas com relação a inflação futura etc. são alguns exemplos do que deve ser observado antes de comprar algum título do Tesouro.

É recomendado fazer as avaliações de perfil de investidor disponíveis em bancos e plataformas de investimento antes de aplicar os recursos. É importante também planejar os investimentos de acordo com os objetivos de vida de cada um. Por fim, outra recomendação importante é diversificar os investimentos em tipos e prazos diferentes.

Bruno Mori é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: bmori@sarfin.com.br

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. 

Texto publicado no site Época Negócios em 23 de março de 2021.