Consultório Financeiro

Quando vender uma NTN-B antes do vencimento

Tenho há vários anos o título Tesouro IPCA+ 2015 (NTN-B Principal 2015) que vence em maio deste ano. Sei que se levar o título até a data de vencimento, ganharei o rendimento contratado. Os títulos públicos têm o seu valor de mercado flutuante e podem, em determinado momento, valer mais do que o valor com a rentabilidade contratada. Minha dúvida: é válido acompanhar o valor de mercado deste título e vendê-lo antes do vencimento, caso o valor de mercado esteja mais alto do que o valor do título com a rentabilidade contratada? Sendo afirmativa a resposta, como poderia fazer o cálculo do valor de mercado?

Rodrigo de Castro Freitas, CFP, responde:

Caro leitor, os títulos públicos corrigidos pela inflação são excelentes instrumentos de formação de riqueza. Possuem rentabilidade real (acima da inflação), definida pela taxa contratada no momento da compra e são beneficiados pelo efeito dos juros compostos por vários anos, pois os vencimentos oferecidos pelo Tesouro Nacional são de longo prazo, variando de 4 a 35 anos. Entretanto, como você observou, o valor de mercado dos títulos pode ter grande variação, proporcionando rentabilidade diferente da contratada, até mesmo negativa, caso seja preciso vendê-los antes de seu vencimento. Isto ocorre pelo fato de o preço do título ser inversamente proporcional ao percentual pago como rendimento real dos títulos negociados a cada dia. Ou seja, quando o rendimento real sobe, o preço do título cai.

A ideia de venda antecipada é válida, desde que tomados os seguintes cuidados:

1) ter comprado o título há mais de dois anos, período em que incide a menor alíquota de imposto de renda (15% sobre o lucro);

2) ter escolhido a nova aplicação a ser feita com este recurso;

3) ter verificado se os custos de negociação não reduzirão substancialmente o lucro da operação.

Entendo que, no seu caso, a venda do título não será realizada por uma necessidade de liquidez, e sim por uma oportunidade de obter lucro superior ao proporcionado pela taxa contratada ou por uma revisão de estratégia nos seus investimentos.

Este movimento de realização de lucro ou de mudança de estratégia deve ser feito de acordo com as projeções e cenários econômicos, pois um dos fatores que influenciam o preço dos títulos é a expectativa das taxas de juros pelos agentes financeiros. Na prática, a migração de títulos prefixados para pós-fixados deve ser feita durante o ciclo de alta da taxa de juros, preferencialmente no início. A operação oposta, de venda de pós-fixados e compra de prefixados, deve ser realizada durante o ciclo de baixa da taxa de juros.

Para exemplificar este raciocínio, desde o início de 2013, quando a taxa Selic fez mínima de 7,25%, até o patamar atual de 12,75%, o rendimento real do Tesouro IPCA+ 2035 aumentou de 4% para 6,5% e o preço unitário do título diminuiu de R$ 900,00 para R$ 720,00.

Não é necessário fazer o cálculo do valor do título, pois este valor é divulgado juntamente com sua metodologia de cálculo no site do Tesouro Nacional. O que você deve comparar é a rentabilidade atual de seu título (diferença percentual entre o valor atual e o valor de compra) em relação à rentabilidade contratada do título, dada pela taxa contratada mais a inflação do período.

Na dúvida, busque a orientação de um planejador financeiro, pois este será capaz de conciliar suas aplicações a seus objetivos e projetos, respeitando sempre os limites do seu perfil de investidor.

Rodrigo de Castro Freitas é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). E-mail: rfreita4@hotmail.com

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou do IBCPF. O jornal e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 13 de abril de 2015.

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