Seu Planejamento Financeiro

Tenho 20 anos e comecei a trabalhar agora. Como me planejar para a aposentadoria?

Raphael Carneiro, CFP®, responde:

O planejamento para a aposentadoria é um ponto crucial, mas ainda não costuma receber a devida atenção. Apenas 4 em cada 10 brasileiros se preparam para a aposentadoria de acordo com pesquisa feita pela CNDL e pelo SPC Brasil em parceria com o Banco Central. O estudo aponta que, enquanto 41% das pessoas se preocupam com essa fase da vida, 59% não planejam o momento de se aposentar.

A necessidade de se planejar para a aposentadoria torna-se maior à medida que aumenta a expectativa de vida. De acordo com o IBGE, em 1940 a expectativa de vida era de 42,9 anos para os homens e de 48,3 anos para as mulheres. Mas essas idades já chegaram a 73,1 e 80,1, respectivamente, totalizando uma média de 76,6 anos.

Para se planejar, é preciso tirar uma fotografia de seu momento atual, o que envolve considerar os seguintes fatores:

  • Idade;
  • Renda;
  • Se possui previdência pública;
  • Dependentes;
  • Com quantos anos pretende se aposentar;
  • Se quer ter renda permanente ou fazer o saque de uma só vez.

São questões básicas que devem guiar o seu planejamento. Ao considerar esses tópicos, você terá condição de elaborar um plano detalhado que deve ter como base a seguinte pergunta: quanto é o suficiente para você?

Esta é a chave do planejamento para a aposentadoria: conhecer e ter noção do quanto vai precisar para manter seu estilo de vida. Isso vai incluir o conhecimento dos gastos atuais que serão mantidos, dos gastos que deixarão de existir e também dos novos gastos em sua rotina.

Para exemplificar com números, será considerada uma renda mensal de R$ 6,5 mil. Se a ideia é manter esse padrão durante a aposentadoria com o rendimento do seu patrimônio, você precisará de aproximadamente R$ 2 milhões com rentabilidade anual de 4% acima da inflação.

Esses dados permitirão se planejar em relação a quanto vai poupar e ao tempo que terá pela frente. Permitirão também fazer os ajustes necessários. Muitas vezes, o valor que se deve poupar é irreal diante da realidade.

Há uma indicação-padrão de que se poupe entre 10 e 20% da receita mensal. Se não for possível, comece com uma quantidade menor até atingir seu objetivo.

Um ponto que ajuda a chegar ao seu objetivo é fazer um pacto para aumentar o aporte. A ideia é que, a cada novo aumento de receita por uma promoção ou mudança de emprego, um percentual definido seja direcionado imediatamente para o plano da aposentadoria. Por exemplo, a cada aumento que tiver, 10 ou 15% devem ir automaticamente para a aposentadoria. Isso permite aumentar o valor dos aportes sem ter a sensação de “perder” esse dinheiro.

Após o entendimento sobre a parte teórica e de gestão financeira do seu planejamento para a aposentadoria, é preciso definir onde esse valor será investido. Investir será fundamental para que o patrimônio renda e, sobretudo, para obter ganhos em relação à inflação. É um investimento de longo prazo que precisa ter uma carteira bem balanceada.

Antes dele, no entanto, você tem que montar sua reserva de emergência. Com ela encaminhada ou já realizada é que você deve passar a montar a carteira que permitirá manter seu estilo de vida ao longo da aposentadoria.

Para montar a carteira, tenha em mente a importância do INSS. Atualmente o teto do benefício é de R$ 6.433,57. Com os aportes que são feitos no fundo, dificilmente você chegaria ao montante necessário para ter essa renda. O INSS, então, é muito importante para compor o planejamento da aposentadoria, até pelos benefícios que tem. O ponto-chave, no entanto, é não o encarar como o elemento principal do planejamento.

A ideia é que o INSS seja um complemento de sua renda durante a aposentadoria. É um algo a mais que vai completar a renda do patrimônio que acumular durante os anos. Para chegar a esse patrimônio, conte com a ajuda de um especialista para a elaboração de uma carteira de investimentos que corresponda à sua necessidade e obedeça a sua tolerância à perda.

Essa carteira pode ser composta por títulos públicos, como aqueles atrelados à inflação, fundos de previdência, que darão benefícios fiscais e sucessórios, e, se for o caso, também ações. Será preciso avaliar e separar as duas fases do planejamento: acumulação e distribuição. No caso de ações, por exemplo, você precisará de ações de crescimento, aquelas que podem dar uma boa rentabilidade para engordar seu patrimônio na fase de acumulação. Já na fase de distribuição, a preferência deve ser por boas pagadoras de dividendos. 

Raphael Carneiro é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial  Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejamento Financeiro. E-mail: [email protected]

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Texto publicado no site Época Negócios em 11 de janeiro de 2022.

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