Seu Planejamento Financeiro

Vale a pena comprar ações em um IPO?

Marisa Dornelles, CFP®, responde:

A resposta para essa pergunta é: depende. Inúmeros fatores devem ser considerados antes de se chegar a uma resposta para esse questionamento.

Inicialmente, importante esclarecer que IPO significa Initial Public Offering, em tradução livre oferta pública inicial, que ocorre quando uma empresa lista suas ações na Bolsa de Valores para que os investidores possam se tornar acionistas da companhia.

Tal temática está bastante em voga recentemente, pois, além do aumento de pessoas físicas cadastradas na Bolsa de Valores brasileira, a quantidade de IPOs na B3 tem aumentado bastante.

Em 2018 foram realizados três IPOs, em 2019 foram realizados cinco e, em 2020, apesar da pandemia do coronavírus, foram realizadas 27 ofertas primárias, entre as quais 17 encerraram o ano com rentabilidade positiva considerando o período entre a abertura de capital e 30 de dezembro de 2020.

Por sua vez, em 2021, até o momento já foram realizados 18 IPOs, há 27 companhias com ofertas de ações primárias em análise perante a CVM e 30 desistências/indeferimentos, conforme informado pela autarquia.

O ano com maior número de IPOs foi 2007, com 64 ofertas iniciais de empresas brasileiras.

O processo para a realização de um IPO é burocrático e complexo, pois a companhia deve preencher todas as exigências da Lei das S.A., nº 6404/76, e da Instrução CVM 400.

A companhia emissora deverá contratar um ou mais intermediários financeiros para que atuem como líderes da distribuição, organizando a operação e solicitando o registro na CVM.

A oferta pode ser primária, secundária ou mista, dependendo da destinação dos recursos. A oferta primária ocorre quando há distribuição de novas ações, com aumento de capital, em que os recursos resultantes da venda são destinados ao caixa da companhia, a investimentos, a financiamento de projetos etc. Por sua vez, a oferta secundária ocorre quando há distribuição de ações existentes da companhia a serem vendidas pelos acionistas e controladores, não havendo modificação no capital social. Nesse caso, os recursos financeiros resultantes da oferta vão para os acionistas vendedores e não para a empresa.

Mas, voltando ao cerne do questionamento, para comprar ações em um IPO o investidor deve buscar o máximo de informações e relatórios possível para analisar a oportunidade.

A companhia precisa apresentar inúmeros documentos durante o processo de registro de oferta pública, como formulário de referências, estatuto social, acordo de acionistas e prospecto.

Portanto, o investidor que estiver interessado em comprar ações em uma oferta primária deve estudar bem a companhia, o setor de atuação, os números da empresa, a destinação dos recursos captados, assim como a cobertura das casas de análise, a fim de verificar a atratividade da oferta.

Como ponto positivo, destaca-se que companhias inovadoras, de setores ainda não consolidados, podem ter um futuro promissor pela frente, com alto potencial de valorização.

Dentre os IPOs de 2020, destaca-se que a Locaweb (LWSA3), do setor de tecnologia e internet, teve uma valorização de mais de 400% entre fevereiro de 2020, data do IPO, e março de 2021. E a varejista para animais de estimação Petz (PETZ3), primeira do segmento, teve alta de mais de 34% desde que estreou na B3 em setembro de 2020.

Por outro lado, são ações que apresentam maior risco e volatilidade, além de terem menor liquidez, sendo mais indicadas para investidores que possam deixar o dinheiro investido a longo prazo.

Enquanto comprar ações em um IPO pode ser uma oportunidade de rápida valorização, as ações de empresas já listadas na Bolsa podem, por vezes, apresentar maior segurança, por se comunicarem melhor com o mercado, além de possuírem um histórico maior de números disponíveis.

Assim, espera-se que essas explicações ajudem você a decidir se vai ingressar, ou não, em um dos próximos IPOs de 2021.

Marisa Dornelles é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiro. E-mail: marisa.dornelles@gmail.com

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do site ÉpocaNegócios.com ou da Planejar. O site e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. 

Texto publicado no site Época Negócios em 08 de junho de 2021.

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