Consultório Financeiro

O que fazer com parcela atrasada do financiamento imobiliário?

“Perdi meu emprego e estou com 4 parcelas do meu financiamento imobiliário em atraso. Não sei o que fazer.”

Eliane Tanabe, CFP® e Clarice Oliveira, CFP®, respondem: 

Caro leitor,

A compra da casa própria, muitas vezes, representa a realização de um sonho. Como a situação mencionada tem 4 parcelas vencidas, é importante buscar uma alternativa que possibilite manter o seu financiamento.

Em caso de atraso no pagamento das parcelas do financiamento imobiliário, via de regra, a instituição financeira pode notificar o devedor a partir de 30 dias do vencimento da parcela não paga e, com três parcelas atrasadas, pode notificar o cliente para a negociação. Em caso de não haver acordo nem uma proposta feita de forma amigável em tempo hábil, a instituição pode iniciar o processo de liquidação com a possibilidade de perda do imóvel.

O quer fazer então?

Essa é uma situação crítica que deve ser tratada o quanto antes, pois a estrutura jurídica no sistema de financiamento das instituições é bem eficiente e tem processos bem definidos, diante dos valores elevados envolvidos na negociação.

Porém, antes de buscar uma renegociação junto à instituição financeira, faça uma análise criteriosa da sua situação financeira e avalie se, com uma boa renegociação, os valores das parcelas, caso sejam reduzidos, cabem em seu orçamento. Além disso, tente estimar em quanto tempo você pode conseguir uma recolocação ou uma nova fonte de renda.

Dada a criticidade e a importância desse imóvel no seu contexto, procure reduzir todos os seus gastos supérfluos e, se possível, também suspender momentaneamente os gastos fixos que possam ser retomados em outro instante.

Tenha em mente que a situação é temporária. Além disso, com disciplina e determinação, você pode conquistar a sua organização financeira e qualidade de vida novamente.

Assim, não espere a inadimplência se estender por um longo período. Procure seu gerente no banco para negociar alternativas e evitar a perda do imóvel. Normalmente, a instituição financeira terá preferência por negociar uma solução em vez de recorrer ao processo de liquidação e posterior tomada do bem para a venda em leilão. 

Na renegociação, em primeiro lugar, é importante reduzir ao máximo a taxa de juros. Alguns contratos antigos apresentam taxas elevadas devido às condições no momento do financiamento. Hoje, o cenário econômico pode permitir menores taxas de juros no seu contrato, contribuindo para a redução do valor da parcela. Em segundo lugar, você pode buscar renegociar o aumento do prazo do seu financiamento. Isso aumenta o número de parcelas a pagar, mas reduz o valor da parcela mensal. Essas alternativas só terão efeito se o valor de parcela menor couber no seu orçamento revisado anteriormente.

Também é importante rever as cláusulas do seu contrato do financiamento imobiliário em caso de atraso no pagamento. Alguns contratos, inclusive, podem incluir um seguro para cobrir o pagamento das parcelas do financiamento em caso de desemprego do mutuário. Veja se esse é o seu caso.

Se não chegar a uma alternativa de negociação viável para ambos, restará a possibilidade de vender o imóvel, quitar a dívida e alugar outro de menor valor para residir. Ou, ainda, alugar o atual imóvel para cobrir as parcelas e morar de aluguel em um local mais barato.

Consulte sempre um planejador financeiro certificado para ajudar nas suas decisões. 

Eliane Tanabe e Clarice Oliveira são planejadoras financeira pessoais e possuem a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. Email: [email protected] e [email protected]

As respostas refletem as opiniões das autoras e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: [email protected]

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 19 de abril de 2021.

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