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Tesouro Direto é boa opção para previdência?

Tenho 41 anos, possuo dinheiro guardado na caderneta de poupança e consigo economizar uma boa quantia por mês. Pretendo me aposentar aos 65 anos e gostaria de saber se aplicar no Tesouro Direto é uma boa opção.

Leticia Camargo, CFP®:

O leitor já cultiva o hábito de poupar regularmente e esse é um grande passo para uma aposentaria tranquila. Para parte de sua reserva de longo prazo, o Tesouro Direto é ótima opção para diversificar seus investimentos para além da caderneta de poupança.

Em relação aos fundos de investimento, o Tesouro Direto tende a possuir taxas mais baixas – e conta com vantagens tributárias, já que não tem a cobrança do “come-cotas”. Dessa forma, o valor que seria pago como antecipação do Imposto de Renda (IR) continua aplicado rendendo juros. Em ambos os casos, essas vantagens proporcionam ganhos adicionais interessantes no longo prazo.

Para comprar títulos do Tesouro, é necessário se cadastrar numa corretora, procurando sempre uma que cobre baixas taxas de custódia para esse tipo de investimento. Depois, é preciso escolher em qual título aplicar, considerando o vencimento do mesmo.

Sugiro que sua estratégia para a aposentadoria seja efetuada em duas etapas. Na primeira, de acumulação, as Notas do Tesouro Nacional – série B são uma boa alternativa. Sua rentabilidade atrelada ao IPCA (índice que mede a inflação) vai garantir a manutenção do poder de compra, somada a uma taxa de juros real.

Nessa primeira etapa, é melhor optar pela NTN-B Principal, que não paga juros semestrais. Dessa forma, você evita pagar as taxas de imposto mais altas dos dois primeiros anos. Na tributação desses títulos, as alíquotas vão de 22,5%, nos seis primeiros meses, caindo para 15% depois do segundo ano.

Escolha um papel cujo vencimento case com a data de sua aposentadoria para não depender da volatilidade das taxas de mercado. Por ser um título mais longo, você deixa de pagar os custos adicionais de rolagem e garante as taxas de juros pactuadas por mais tempo, grande benefício quando a expectativa é de queda dos juros no longo prazo.

Com o valor de sua economia mensal você deverá comprar mais desses títulos todos os meses. Após o vencimento desses títulos, começa a segunda etapa, que é a de recebimento de renda. Com a metade dos recursos acumulados, você deverá comprar NTNs-B com vencimento em ano par, que pagam juros nos meses de fevereiro e agosto. Com a outra metade, compre NTNs-B que vencem em ano ímpar, que pagam juros nos meses de maio e novembro. Dessa forma, na sua aposentadoria, você receberá rendimentos a cada três meses. E esses juros caem automaticamente na sua conta na corretora.

Caso necessário, você poderá efetuar vendas às quartas-feiras, já que o Tesouro garante a recompra dos títulos nessas datas. Essas vendas serão efetuadas a preços de mercado e a rentabilidade dependerá das taxas negociadas no momento. O rendimento definido na compra somente estará garantido quando o título for carregado até o vencimento.

Proponho ainda que você acumule uma reserva para emergências na poupança ou em um fundo DI, que são produtos conservadores e com liquidez diária. O montante deve ser de seis vezes seus gastos mensais. Ressalto também que, para minimizar riscos, é importante compor uma carteira diversificada de acordo com seu perfil de investidor.

Por fim, quando for aplicar no Tesouro Direto, lembre que o valor mínimo para compras é de aproximadamente R$ 150,00 e o máximo, de R$ 400 mil por mês.

Leticia Camargo é Planejador Financeiro Pessoal e possui a Certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros. E-mail: [email protected]

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou da Planejar. O jornal e a Planejar não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para: [email protected]

Texto publicado no jornal Valor Econômico em 28 de maio de 2012.

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