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Como saber se o fundo de emergência é suficiente?

Edgar Bispo, CFP®, responde:

O fundo de emergência, também conhecido como reserva de emergência, trata-se de um recurso financeiro destinado a cobrir despesas inesperadas e de difícil previsibilidade, além de suprir as despesas correntes em caso de redução ou perda de rendimentos habituais por determinado período. Por ser um recurso com a finalidade de atender demandas urgentes, recomenda-se investir em aplicações conservadoras e com liquidez imediata, não sendo a rentabilidade o principal fator a ser considerado para esse tipo de recurso.

Assim, o fundo emergencial torna-se um instrumento indispensável para um bom planejamento financeiro ao longo da vida, evitando situações de estresse nas finanças que podem comprometer a saúde financeira, patrimonial e a qualidade de vida da pessoa e de seus familiares. Sem a reserva emergencial, em caso de necessidade, a pessoa terá que tomar medidas prejudiciais às boas práticas de planejamento financeiro, tais como recorrer a empréstimos com altas taxas de juros, vender bens por valores abaixo do preço de mercado ou reduzir repentinamente o padrão de consumo.

A pandemia de covid-19 destacou a necessidade de se ter um bom fundo de emergência, já que muitas pessoas inesperadamente perderam empregos, renda e tiveram que lidar com o isolamento e doenças.

Quanto ao valor destinado à reserva de emergência, recomenda-se que seja de três a doze vezes o valor das despesas mensais, variando principalmente em função do tipo de rendimento e da probabilidade de descontinuidade temporária da renda.

Pessoas com rendimentos perenes e padronizados, como funcionários públicos, aposentados e pensionistas, não necessitam de uma reserva robusta, visto que dificilmente irão perder rendimentos. Por outro lado, trabalhadores do setor privado e autônomos necessitam de maiores reservas por estarem mais suscetíveis à perda de renda.

Alguns, por segurança, preferem ter reservas com valores superiores a doze vezes as despesas mensais, o que não é proibido. Contudo, deve-se levar em conta que esses recursos, na maioria das vezes, terão baixos rendimentos, e alocar grande parte dos ativos para esse fim pode prejudicar a eficácia do planejamento financeiro no longo prazo.

Para chegar ao valor ideal da reserva emergencial, a pessoa deve ter um cálculo preciso das despesas mensais, prever quanto tempo em média levará para recompor os rendimentos perdidos temporariamente e acrescentar a isso um valor para despesas inesperadas, como doenças, consertos de veículos, necessidade de reformas não programadas na residência, entre outras. Em seguida, multiplicar o valor das despesas pelo número de meses que serão necessários para recompor a renda.

Lembrando que cada pessoa tem particularidades financeiras, sendo de suma importância avaliar a situação individualmente para chegar ao valor ideal da reserva de emergência.

Uma vez determinado o valor do fundo emergencial, recomenda-se a revisão periódica para saber se os valores ainda estão adequados às necessidades. Caso haja mudanças significativas nas despesas ou na renda, recomenda-se ajustar os valores da reserva emergencial.

Por fim, é fundamental que os recursos destinados ao fundo emergencial sejam estritamente para necessidades emergenciais, não devendo ser utilizados para as despesas correntes e tampouco em investimentos ilíquidos e de longo prazo, o que exige muita disciplina do indivíduo.

Edgar Bispo dos Anjos é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pela Planejar – Associação Brasileira de Planejamento Financeiro. E-mail: [email protected]

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Texto publicado no jornal Valor Econômico em 25 de Março de 2024

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